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DSÍ

DSÍ

O corpo não preexiste à dança. Escapa dele mesmo por todos os poros da pele que não é mais uma fronteira estável entre o fora e o dentro, mas sim uma membrana flutuante pela qual passa um frágil fluxo de vida. Grito do ato se inventando. Grito de nascimento de um corpo desconhecido entre vida e morte. Laço corroído entre a mente e o corpo até o ponto de torna- se uma corda vibrando na caixa de ressonância da alma.

Alain Alberganti

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A bailarina metamorfoseia-se num corpo outro. Cadáver, feto, flor, pedra, árvore, inseto, ancestral. Para acolher este caosmos precisa torna-se vazio incandescente atravessado por forças e intensidades alheias. A bailarina manda sinais de uma pira funerária que já virou cinzas.

Mas meu corpo não é meu! Ele tem uma memória. Corpo geológico. Como acessar esta memória que os terremotos da vida jogaram de cima para baixo nas camadas mais profundas? Envelhece invisivelmente a cada segundo. Não os desejos. Nosso corpo que não é nosso nos acompanha de longe carregando nossa vida que não é nossa. Passa sempre ao lado, na periferia desfocada do campo de visão.

A bailarina não dança. Sonha com um corpo outro. Fazemos parte deste sonho e no final não sabemos mais se ela sonhou de nós ou se somos bailarinos sonhando. Agora só tem um corpo dilatado ao espaço todo. E, de repente, estamos respirando o mesmo ar. Respiramos todos o mesmo ar sempre. Boca a boca. Corpo a corpo. Apneia da vida.

INSTALAÇÃO DSÍ

O que está em jogo no acontecimento performativo onde vida e arte se dobram e se tocam no justo espaço da dança? O corpo próprio? E que corpo é este?

DSÍ nos desafiou o encontro com este outro espaço do corpo. Por debaixo de camadas infinitas de pele, buscamos incessantemente tocar a superfície sutil de um corpo pré-verbal, imaginário, perceptivo, potente e sensório.

Neste percurso, a memória, suas marcas reais ou ficcionais e os instantes de uma vida desestabilizaram lugares deste corpo para religa-lo a novos estados no aqui e no agora.

Espelhamentos de si, reflexos do outro que atravessam e perfuram a fina camada da ação performativa, se misturam e se desintegram em leves partículas que repulsam e atraem o instante do gesto que gesta. E a experiência se-refaz.

Ana Vitória

Ficha Técnica

DSÍ
Estréia nacional 2016
Instalação Performática e Direção Geral ANA VITÓRIA

Performer – Carolyna Aguiar
Desenho de luz – Aurélio de Simoni
Execução da Instalação – Sérgio Marimba
Pesquisa Musical – Ana Vitória
Trilha Sonora – Antonia Adnet
Preparação Corporal ( Dança Butoh) – Alain Alberganti
Identidade Visual – Ana Montenegro
Fotografia – Renato Mangolin
Assessoria de Imprensa – Daniela Cavalcanti
Conteúdo Digital – Another Hot Brand
Registro Videográfico – Monica Prinzac
Produção – Celso Lemos
Realização –  8 Tempos